sábado, 30 de junho de 2007

Vida

Eu ainda me lembro daquela tarde. Era uma tarde de outono e o sol planava sobre a paisagem. Eu ainda me lembro daquelas vestes, daqueles sorrisos e daqueles medos que nos seguiam sem nem mesmo nos conhecermos. All star preto com detalhes roxos, calça jeans e uma camisa que transbordava simplicidade. Coração bate mais forte a cada passo, que chegava e chegava cada vez mais perto do meu futuro incerto. Ali estava, a poucos metros de mim, olhando para mim e de cabeça baixa. Foi como a primeira respirada, o primeiro sorriso, o primeiro andar da minha vida.
Eu ainda me lembro do toque da sua mão, do chegar: -"Oi?", aquele oi bem incerto. E enfim eles se tocam pela primeira vez, ainda posso sentir em minha mão o toque aveludado de suas mãos marcadas, e tristes. Caminham alguns metros para não ver ninguém e ficar em paz, mas o inevitável foi tentado a ser evitado por ele. E ele não agüentava mais de desejo, de necessidade e de amor, amor instantâneo por ela. Ela esperando por um beijo e ele como se tivesse a beira de um abismo berrando e ninguém pudesse ouvi-lo.
Seis horas, hora de o destino se cumprir, é feito a sua vontade naquele primeiro beijo. Os carros passam, as pessoas andam e o tempo parou para os dois. O sentimento perfeito, para a hora errada, nisso se resume.
Mais aquele beijo, aquele primeiro beijo foi tudo, tudo que um nada possui. Aquele beijo foi a vida. E aquela vida para os dois se resumiu em três seqüências de trinta seqüências de vinte e quatro horas. Três meses. Uma vida vivida intensamente. Aprendendo a lidar com assuntos estranhos, com assuntos jamais vistos. Mais tinha algo errado, ele à amava demais, e demais, e demais e ainda ama.
Algo errante foi feito naquela tarde, naquele outono, naquele mundo. Nada mais se faz certo. Nada mais tem seu caminho correto, está fora de coordenação. O primeiro dia se acaba, com uma lua imensa e que dava uma mensagem ruim para ambos os lados. -"Um dia esse caminho será uma prisão." Ela acha que sim ele finge que não.
O dia seguinte se inicia, e algo esta errado. Mas o que será que o atormenta, o que será? Ela ainda se lembra, do toque frio na mão dele, e aquele olhar atormentado, tenebroso. Me congela hoje, em pensar nisso. Aquele sofá, e aquela mão, aquela porta do quarto aberta e aquela maldita televisão. Aquela sensação de que tudo vai explodir. Não, eu não agüento mais. E tudo se termina naquela noite, naquela casa, naquele bairro, naquele mundo. Seja meu amigo para sempre, e não me abandone.
Momentos especiais, momentos maravilhosos, caminhar pela cidade como se tudo estivesse bem. Eu não me lembrava mais de problemas, nem de preocupações. Era eu e você e você pulou fora. Eu choro todos os dias por isso. E penso como eu posso viver sem você. E o ano todos os dias foram noite para mim, o sorriso se foi, a alegria também. Como se eu fosse um girassol, e você o meu sol.
Ainda estamos lá, estaremos pra sempre no nosso cantinho, naquela estrada de chão, naquela curva, naquele lugar. Pra sempre estarei lá meu amor, pra sempre te esperarei e pra sempre te amarei. Ainda estamos lá. Eu ainda estou.

E pra sempre se seguirá. Eu te amo não é tudo.

sábado, 2 de junho de 2007

Outono Frio

Enfim palavras não me ajudam
Nunca dizem o que eu quero dizer
E não me ajudam no que eu devo fazer
E só mais embaralhada minha mente deixam.

E outra vez me deparei com erros passados
Singelos e sinceros erros de alguém que não aprende
Alguém que com suas forçar tenta tornar-te contente
E contudo faz coisas desesperadas e sem significados.

Nunca fui bom em romances
E nem com novas chances
Queria apenas um amor sincero
E no sol do outono ter um amor belo.

Explica-me porque o céu é azul
E me diz por que as gotas caem
Diz-me porque amores vão e vem
E porque comigo não será apenas um.

Vivo, caminho, sorrio sempre em vão
Sem o meu sol nada mais se tem
Nada mais, mas futuro vem
E minha vida passará sem ninguém.